quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O homem não é um deus, história verídica


Vou contar uma história verídica que aconteceu numa cidade do Rio Grande do Sul, contudo os nomes serão alterados para não prejudicar os familiares e os envolvidos na história. 
 
Doutor Alfredo Schneider foi um dos neurologistas mais geniais da região e talvez do estado, sua fama como médico genial começou quando decidiu tirar dois dedos (o anelar e o mindinho) da mão esquerda para poder enfiar os outros dois (o indicador e o dedo do meio) nas cirurgias intracranianas e que envolvem manuseio no cérebro. Ele tirou esses dois dedos para facilitar a manipulação do indicador e o dedo do meio na cirurgia. Sem contar a dedicação e inteligência desse médico.

Dr. Alfredo salvou muitas vidas, as que não conseguiu salvar, prolongou. Tamanha dedicação e interesse fizeram desse médico o gênio da neurologia no Rio Grande do Sul.

Alfredo tinha um filho, Guilherme Schneider, que desde pequeno acompanhava o pai e decidiu ser neurologista também. Se tornou o doutor neurologista Guilherme Schneider, que tudo indicava que viria a suceder seu pai no ramo da neurologia. Dr. Guilherme Schneider tinha a mesma capacidade do pai, só que era mais educado e atencioso com os pacientes, coisa que muitos pacientes do Alfredo Schneider se queixavam.

Dr. Guilherme Schneider era casado com a médica Agnes Vidal. Eram felizes e Guilherme era muito apaixonado pela esposa. Até que a esposa com tonturas e dores de cabeça acabou sendo diagnosticada com um câncer no cérebro. Havia chances de melhora e cura. Dr. Guilherme e seu pai Dr. Alfredo Schneider juntos eram os melhores da região sul e poderiam salvá-la, eles iriam salvá-la...

Juntos pai e filho operaram a nora e esposa, mas o câncer estava numa região que se fosse cortada a mataria na hora. Decidiram fechar a cabeça dela e prolongar a vida com quimio e radioterapia. Mas a doença a matou no final, nada a medicina pode fazer.

Dr. Guilherme Schneider sofreu muito, mas se recuperou e casou de novo com uma empresária também chamada Agnes. Dois anos depois a depressão lhe corruía por dentro, nem todo o saber da neurologia e da ciência o fazia entender. Guilherme se matou em seguida com um tiro na cabeça. As pessoas contam que a segunda esposa estava traindo ele com um garoto bem mais novo e que a última cirurgia que ele fizera teria sido um desastre, esquecendo o bisturi dentro do paciente e deixando o mesmo aberto. No dia seguinte Guilherme se matou.

O pai, o melhor neurologista, o filho seria o segundo melhor, a mulher do filho com um câncer na cabeça intratável e o filho que não soube superar a perda da esposa e não conseguira mais lidar com a própria profissão. 

Embora que possa parecer chocante essa história e trágica, tem uma moral: os médicos às vezes deixam de se cuidar, ou querem faturar muito dinheiro e por fim ninguém leva nada. Outra é que tem coisas que não podem ser controladas e outras que não devem e não podem ser mudadas!